{"id":1439,"date":"2015-12-14T08:25:55","date_gmt":"2015-12-14T11:25:55","guid":{"rendered":"http:\/\/inf.ibiruba.ifrs.edu.br\/index.php\/2015\/12\/14\/uberizacao-dos-bancos-fantasia-ou-realidade\/"},"modified":"2018-06-08T17:12:35","modified_gmt":"2018-06-08T20:12:35","slug":"uberizacao-dos-bancos-fantasia-ou-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inf.ibiruba.ifrs.edu.br\/index.php\/2015\/12\/14\/uberizacao-dos-bancos-fantasia-ou-realidade\/","title":{"rendered":"Uberiza\u00e7\u00e3o dos bancos: fantasia ou realidade?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/idgnow.com.br\/blog\/tecnologia\/files\/2015\/12\/puzzled-by-finance-951618_640.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"  wp-image-408 aligncenter\" src=\"http:\/\/idgnow.com.br\/blog\/tecnologia\/files\/2015\/12\/puzzled-by-finance-951618_640.png\" alt=\"puzzled-by-finance-951618_640\" width=\"394\" height=\"265\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com a \u00faltima rodada de investimentos, o Uber passou a ter valor de mercado de 62 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, maior que o da GM, que vale cerca de 56 bilh\u00f5es. O termo uberizar j\u00e1 se tornou um verbo (ainda n\u00e3o oficial&#8230;) e significa causar uma disrup\u00e7\u00e3o em um setor de ind\u00fastria.<\/p>\n<p>A uberiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno que preocupa qualquer CEO que esteja antenado com as mudan\u00e7as que j\u00e1 est\u00e3o ocorrendo no cen\u00e1rio de neg\u00f3cios mundial. Este temor \u00e9 sintetizado por Maurice Levy, CEO da Publicis, grupo franc\u00eas de m\u00eddia, em entrevista ao Financial Times, da seguinte forma: \u201c<a href=\"http:\/\/www.ft.com\/cms\/s\/0\/377f7054-81ef-11e4-b9d0-00144feabdc0.html#axzz3tw8WG1TM\">everyone\u00b4s starting to worry about being uberized<\/a>\u201d. A uberiza\u00e7\u00e3o, resultado direto da transforma\u00e7\u00e3o digital, n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno exclusivo de alguns setores mais digitaliz\u00e1veis, como m\u00eddia ou software. Tem o potencial de afetar praticamente todos os setores de ind\u00fastria.<\/p>\n<p>O risco para as empresas tradicionais \u00e9 o de um app (na verdade uma empresa de tecnologia) substitui-las\u00a0como ponto de conex\u00e3o entre os clientes e as suas necessidades espec\u00edficas, como o Airbnb na rede hoteleira e o pr\u00f3prio Uber na busca por um ve\u00edculo com motorista.<\/p>\n<p>O desafio das empresas tradicionais \u00e9 o apego a modelos de neg\u00f3cio criados e solidificados por d\u00e9cadas. As disruptoras, as \u201cubers\u201d, surgem com ideias inovadoras, antag\u00f4nicas e radicalmente diferentes \u00e0s suas cren\u00e7as. Muitas tentam se defender atr\u00e1s de regula\u00e7\u00f5es e protecionismos governamentais. Estrat\u00e9gia que at\u00e9 funciona em alguns pa\u00edses (aqui no Brasil vemos exemplos t\u00edpicos), mas que n\u00e3o se sustentam por muito tempo.<\/p>\n<p>A press\u00e3o do mercado consumidor por uma solu\u00e7\u00e3o ou servi\u00e7o mais barato, mais flex\u00edvel e mais self-service (ou seja, menos fric\u00e7\u00e3o) leva inevitavelmente \u00e0\u00a0ruptura do modelo tradicional. Portanto, a decis\u00e3o para os CEOs, quer gostem ou n\u00e3o da uberiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 decidir se querem se submeter a ela\u00a0ou querem, eles mesmos, criar a disrup\u00e7\u00e3o. Interessante a frase do CEO global da Michelin &#8211; \u201c<em>I don\u00b4t want to submit to the digital solution, I want to dominate it<\/em>\u201d &#8211; \u00a0ao explicar os investimentos nas startups de venda de pneus online, como a francesa Allopneus e a inglesa Blackcircles.<\/p>\n<p>Os cen\u00e1rios\u00a0tecnol\u00f3gico (evolu\u00e7\u00e3o exponencial da tecnologia) e econ\u00f4mico atuais, com a gera\u00e7\u00e3o de nativos digitais se impondo no mercado consumidor e come\u00e7ando a assumir posi\u00e7\u00f5es mais executivas, trazendo com eles seus valores e ideias, aceleram o processo de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A dificuldade para os atuais gestores \u00e9 que a velocidade da mudan\u00e7a \u00e9 muito r\u00e1pida, n\u00e3o dando a eles muito tempo para refletir. Provoca\u00a0quase que uma rea\u00e7\u00e3o instintiva! \u00c9 um ciclo de decis\u00f5es que colide com o tradicional, e lento, modelo decis\u00f3rio das grandes corpora\u00e7\u00f5es, com suas pesadas estruturas organizacionais, incluindo a\u00ed\u00a0a pesada infraestrutura de TI,\u00a0com centenas de sistemas legados, muitas vezes com interliga\u00e7\u00f5es complexas, que demandam centenas ou milhares de profissionais s\u00f3 para manterem os\u00a0sistemas funcionando. Aqui no Brasil, os bancos e as empresas de telecom \u00a0s\u00e3o exemplos bem sintom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Vamos olhar os bancos. Recentemente li um artigo no WSJ que me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Chama-se \u201c<a href=\"http:\/\/www.wsj.com\/articles\/the-uberization-of-finance-1446835102\">The uberization of Money<\/a>\u201d e mostra como o setor financeiro americano est\u00e1 come\u00e7ando a se tornar alvo da uberiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estamos falando da ponta, onde os bancos j\u00e1 t\u00eam muitos servi\u00e7os via smartphones. Aqui no Brasil, praticamente todas as minhas intera\u00e7\u00f5es com meu banco j\u00e1 s\u00e3o via meu iPhone.<\/p>\n<p>Mas que tal falarmos em empr\u00e9stimos? Nos EUA, o movimento em dire\u00e7\u00e3o a novos modelos uberizados \u00e9 crescente e acelerado. Um relat\u00f3rio da PwC, \u201c<a href=\"https:\/\/www.pwc.com\/us\/en\/consumer-finance\/publications\/assets\/peer-to-peer-lending.pdf\">Peer Pressure: how peer-to-peer lending plataforms are transforming the consumer lending industry<\/a>\u201d, estima que os empr\u00e9stimos peer-to-peer ser\u00e3o uma ind\u00fastria de 150 bilh\u00f5es de d\u00f3lares nos EUA.<\/p>\n<p>O artigo me fez pesquisar mais o assunto e acabei lendo um relat\u00f3rio muito bom, de quase 200 p\u00e1ginas, publicado pelo World Economic Forum: \u201c<a href=\"http:\/\/www3.weforum.org\/docs\/WEF_The_future__of_financial_services.pdf\">The Future of Financial Services: how disruptive innovations are reshaping the way financial services are structured, provisoned and consumed<\/a>\u201d. O relat\u00f3rio \u00e9 resultado de um grupo de estudos de bancos americanos, europeus e asi\u00e1ticos (n\u00e3o vi nenhum banco privado brasileiro l\u00e1&#8230;) e \u00a0incluiu n\u00e3o apenas o ponto de vista dos pr\u00f3prios bancos, mas principalmente de muitas startups que est\u00e3o uberizando o setor. Basicamente mostra os servi\u00e7os financeiros \u201ccore\u201d e os riscos de uberiza\u00e7\u00e3o em segmentos\u00a0\u00a0como pagamentos, seguros, dep\u00f3sitos e empr\u00e9stimos, gest\u00e3o de investimentos, etc. O relat\u00f3rio analisa cen\u00e1rios e as implica\u00e7\u00f5es para o atual modelo dos bancos. \u00c9 uma leitura obrigat\u00f3ria para todos os executivos do setor.<\/p>\n<p>Outro p\u00f3lo de mudan\u00e7as radicais est\u00e1 acontecendo no Reino Unido. Londres \u00e9 atualmente o centro financeiro do mundo e muitas startups, chamadas Fintechs, est\u00e3o sendo criadas l\u00e1. Sobre Fintechs recomendo ler \u201c<a href=\"http:\/\/www.economist.com\/news\/leaders\/21650546-wave-startups-changing-financefor-better-fintech-revolution\">The fintech revolution<\/a>\u201d. As Fintechs atuam concentrando esfor\u00e7os em simplificar um \u00fanico servi\u00e7o, via apps. Juntas, est\u00e3o criando\u00a0o fen\u00f4meno da \u201cdesagrega\u00e7\u00e3o\u201d dos bancos. Vale a pena analisar a figura que aparece em <a href=\"http:\/\/fermi.vc\/post\/72559525330\/disaggregation-of-a-bank\">http:\/\/fermi.vc\/post\/72559525330\/disaggregation-of-a-bank<\/a>.\u00a0Mostra claramente o que esta desagrega\u00e7\u00e3o significa na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O resultado, l\u00e1 fora pelo menos, \u00e9 o maci\u00e7o investimento dos bancos na\u00a0aquisi\u00e7\u00e3o dessas\u00a0startups, para evitar que sejam transformados em\u00a0suas v\u00edtimas. Ali\u00e1s, uma frase de Bill Gates, de 1997, tornou-se bem atual hoje: \u201cW<em>e need banking but we don\u00b4t need banks<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Neste contexto, aprofundando na pesquisa sobre o tema, li no meu Kindle \u00a0um livro chamado \u201cBye Bye Banks?: How Retail Banks are Being Displaced, Diminished and Disintermediated by Tech Startups &#8211; and What They Can Do to Survive.\u201d Recomendo a leitura \u00a0a todos consultores, executivos de TI e de neg\u00f3cios envolvidos com bancos. Baseado no mercado ingl\u00eas, bem diferente do brasileiro, mas com\u00a0algumas similaridades, o livro mostra bancos investiram centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares na chamada transforma\u00e7\u00e3o digital, sem mudan\u00e7as em seus \u201ccore systems\u201d, apenas nas interfaces\u00a0com os clientes. A explica\u00e7\u00e3o deles \u00e9 que a cultura tradicional (apoiada por regula\u00e7\u00f5es restritivas e na maioria das vezes muito antigas) permite entrincheirar e dificultar mudan\u00e7as de mindset.<\/p>\n<p>Como toda mega organiza\u00e7\u00e3o, \u00a0os grandes bancos receiam mudar seus modelos de neg\u00f3cio e dificultam experimenta\u00e7\u00f5es quando constatam que correm risco de canibaliza\u00e7\u00e3o a partir do surgimento desses\u00a0novos modelos de neg\u00f3cio. Por outro lado, correm o risco de serem devorados por novos entrantes. A sugest\u00e3o dos autores \u00e9 a de que os bancos criem o que eles chamam \u201cbeta bank\u201d, um banco digital, separado da estrutura tradicional, com novas lideran\u00e7as, processos e sistemas, inteiramente focados no novo mundo digital. \u00c9 uma reinven\u00e7\u00e3o do banco, permitindo um repensar do zero. \u201cSe fossemos criar um banco a partir do zero, sem as restri\u00e7\u00f5es dos bancos atuais, como ele seria? \u201d A partir da\u00ed o novo banco assumiria aos poucos os servi\u00e7os do banco atual.<\/p>\n<p>Minha opini\u00e3o \u00e9 que sim, existe o risco de uberiza\u00e7\u00e3o do setor banc\u00e1rio. Regula\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o impeditivos perp\u00e9tuos, como Uber e Airbnb mostram ao redor do mundo. Eles enfrentam setores altamente regulados. Existe muita rea\u00e7\u00e3o, mas no final acha-se um meio da inova\u00e7\u00e3o florescer. Claro que pa\u00edses s\u00e3o diferentes em sua cultura e for\u00e7a regulat\u00f3ria. Em alguns, os bancos exercem poder maior sobre governo que outros, como no Brasil. Al\u00e9m disso o sistema banc\u00e1rio brasileiro \u00e9 extremamente concentrado. Em uma simplifica\u00e7\u00e3o relativamente realista, n\u00e3o \u00e9 exagero dizer que temos apenas 5 bancos: BB, Ita\u00fa, Bradesco, CEF e Santander. Mas, a uberiza\u00e7\u00e3o do setor banc\u00e1rio mundial n\u00e3o \u00e9 fal\u00e1cia. Mais ou cedo ou mais tarde tamb\u00e9m chegar\u00e1 aqui. Afinal, o Nubank \u00e9 apenas a ponta do iceberg.<\/p>\n<p>As Fintechs podem n\u00e3o matar os bancos, mas v\u00e3o transform\u00e1-los. \u00c9 prov\u00e1vel que os bancos que meu netinho de 5 anos ir\u00e1 conhecer n\u00e3o sejam nada parecidos com os que eu conhe\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/idgnow.com.br\/blog\/tecnologia\/2015\/12\/14\/uberizacao-dos-bancos-fantasia-ou-realidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Uberiza\u00e7\u00e3o dos bancos: fantasia ou realidade?<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Com a \u00faltima rodada de investimentos, o Uber passou a ter valor de mercado de 62 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, maior que o da GM, que vale cerca de 56 bilh\u00f5es. O termo uberizar j\u00e1 se tornou um verbo (ainda n\u00e3o oficial&#8230;) e significa causar uma disrup\u00e7\u00e3o em um setor de ind\u00fastria. 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